Competição desleal no mercado de delivery
O mercado brasileiro de delivery, um ecossistema bilionário em constante expansão, acaba de se tornar o palco de uma batalha jurídica que promete expor as estratégias agressivas e, segundo acusações, anticompetitivas, das grandes plataformas.
A Keeta, braço internacional da gigante chinesa Meituan, entrou com uma ação no Foro Central de São Paulo acusando a 99Food de competição desleal no mercado de delivery. O processo visa suspender cláusulas contratuais que a Keeta alega terem sido impostas a restaurantes parceiros com o objetivo de barrar sua entrada no país e limitar a concorrência.
Essa ação judicial não é apenas uma briga entre empresas; ela lança luz sobre o jogo de poder que acontece nos bastidores do mercado de aplicativos. A Meituan, que é uma das maiores empresas de logística e tecnologia do mundo, anunciou um plano de investimento robusto de R$ 5,6 bilhões no Brasil.
No entanto, a Keeta afirma que a 99Food estaria oferecendo pagamentos antecipados massivos, de pelo menos R$ 900 milhões, para grandes cadeias de restaurantes em troca de “cláusulas de bloqueio” que proíbem parcerias com a Keeta, mas permitem acordos com o iFood, o líder de mercado.
Essa prática é o cerne da acusação de competição desleal no mercado de delivery, pois, na prática, ela cria um duopólio, excluindo novos players e limitando a escolha do consumidor.
Ameaça de Duopólio e o Papel Vital do CADE
O que está em jogo é o próprio equilíbrio do mercado. O iFood, com cerca de 80% de market share, já exerce uma dominância que levanta preocupações.
A tática agressiva da 99Food em São Paulo, se confirmada, teria como objetivo transformar um quase-monopólio em um duopólio, onde apenas dois grandes players controlam o setor.
Essa situação é perigosa porque, sem a pressão de uma concorrência saudável, as plataformas podem aumentar taxas, reduzir a qualidade do serviço e inibir a inovação.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), o órgão brasileiro que atua contra práticas anticompetitivas, já vem monitorando de perto o setor de tecnologia.
Casos como este, que envolvem contratos de exclusividade e pagamentos que visam sufocar a concorrência, são exatamente o tipo de prática que o CADE investiga. Uma decisão favorável à Keeta poderia forçar a anulação dessas cláusulas, abrindo o mercado para novos competidores e garantindo uma competição desleal no mercado de delivery não ocorra.
A entrada de players globais como a Meituan, com tecnologia avançada e um investimento bilionário, promete transformar a dinâmica do setor e forçar todos os envolvidos a se adaptarem. Para saber mais sobre como o CADE atua, você pode consultar as notícias no portal da Agência Brasil.
O Impacto no Consumidor e a Experiência de Compra
Por trás de toda essa disputa corporativa, está o consumidor final. A competição desleal no mercado de delivery é um problema que, no longo prazo, se traduz em menos opções, preços mais altos e um serviço de menor qualidade.
Se os restaurantes são obrigados a escolher entre uma ou outra plataforma, a diversidade de cardápios e promoções pode ser reduzida. Da mesma forma, a ausência de concorrência diminui o incentivo para as plataformas investirem em melhorias, como entregas mais rápidas ou um suporte ao cliente mais eficiente.
Em um cenário de duopólio, a capacidade do consumidor de influenciar o mercado é drasticamente reduzida. A falta de concorrência permite que as empresas se acomodem, resultando em uma experiência de compra ruim para o cliente, que não tem para onde ir.

Para entender mais sobre a importância de uma boa experiência de compra e como ela é essencial para a saúde do seu negócio, confira nosso post Como Remover Experiência de Compra Ruim no Mercado Livre.
O processo movido pela Keeta destaca a importância de um mercado livre e justo, onde a competição desleal no mercado de delivery não tenha espaço.
A promessa da Meituan é trazer não só um investimento financeiro, mas também tecnologia avançada e novas oportunidades para restaurantes e entregadores.
O resultado dessa batalha jurídica pode definir o futuro do delivery no Brasil, determinando se o mercado continuará concentrado nas mãos de poucos ou se abrirá de vez para a inovação e a livre escolha.